sexta-feira, 27 de novembro de 2009


É... são tempos dificeis.
Cabeça louca, coração na mão, e nada de desejo pegando fogo.
Sei lá... vontade de um lugar só meu. De estar sozinho, sabe?

Hoje cheguei em casa e li no quadro branco de recados: "Presente para a Chave Mestra". Ao lado havia pendurada uma bota vermelha, dentro dois sinos de chocolate e uma barra de "chocolate branco puro". Eram pra mim. A vizinha do andar de cima quem deu. Nem a conhecia. Não faço ideia de qual seja seu nome. Tudo o que sei, é que com todo esse meu mau-humor, coisa de mal-amado (ou não), só fiz xinga-la (em silêncio) por falar alto durante a madrugada. E eis que, de repente, ela nos presenteia. Um agradecimento por termos ajudado-a guando precisou. E é agora penso: não só estava longe como brinquei com o ocorrido. Ela tentou se matar e eu (poderia dizer nós, mas não falo pelos outros)ri, desmerecendo o motivo dela, como se eu soubesse qual era de fato a dor de sua carne. Talvez eu seja mais egoísta do que imaginava. Talvez não. Tudo isso pra dizer que "tomei meu dente"; calei minha boca. E agora paro pra pensar em tudo: em como ela está, seu nome, se era uma pessoa legal... afinal, diferentes todos somos.
[...] Uma bota vermelha. De Natal. Parece que nessa terra não existe essa data. Penso ser isso que motiva a passar esse dia aqui, sozinho. Longe de tudo e todos. Longe de presentes, da falta de presentes, das orações, das hipocrisias e das dívidas. Pena ser também longe da família. Mas estar perto da família por agora significa ganhar dor de cabeça por conta de questionamentos desnecessários (pra mim). Sei que no final das contas estarei em casa, sorrindo e rezando, torcendo para acabar logo.
Estranhamente, tenho fugido das pessoas do meu passado. Fugido das pessoas que amo e que, ironicamente, queria perto de mim. Essa semana me perguntaram de quem sinto saudades, imediatamente pensei: "de mim". Talvez por isso eu fuja. Por ser outro.

Chega de sentimentalismos. São mais três horas e tenho que acordar cedo amanhã. O final do período está aqui e tenho cenas, trabalhos e produções pra fazer. Quando isso acabar, vejo o que fazer com o resto.








*Sinto saudades de você. Do meu amor. Depois de mim, sinto falta de ti. Gosto quando estamos juntos. "Seu gosto é do jeito que eu gosto, lamento."

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Chega de "Caio".


CUUUUUUUUUUU.!
Não o prazer, o xingamento. Não dá. Não quero. Não gosto. Nojo. Asco. Vômito. Ânsia. É isso que sinto. É isso que vem. Nada se cria. Tudo foge. Raiva. Sadismo. Não o do prazer, o da ferida. Não dá pra ser assim. Não é pra ser assim. Não é meu, não é pra mim. Forca. Força. Fraqueza. Peito apertado. Não há espaço. Não há ar. Chega (em grito). Um ato. Um fato. Não me movo. Insistir é saturar. E não falo de amor.




[Notas sobre um processo (de cena) gordo. 16/11/2009. Entre 18h30' e 19h'.]

quarta-feira, 11 de novembro de 2009


Não sei porque, como ou quando criei a ilusão de que com a chegada da primavera as coisas seriam bem melhores. Os dias seriam cheios de sorrisos e haveria cores por todos os lados.
Ano passado esperei por ela loucamente. Quando chegou, trouxe consigo alguém do passado, o que fez todos os dias que me restavam no ano ficarem podres. Então decidi que não acreditaria nisso. Que a primavera não tem o poder de trazer cor para as nossas vidas. Eis que esse ano, às vésperas da sua chegada, tive sinais de que viria com tudo - e dessa vez traria uma surpresa mais que agradável. Certifiquei-me que realmente é o inesperado quem muda nossas vidas. E como muda... Em menos de trinta dias ganhei duas marteladas. Então ela chegou. Não como no ano passado, mas não tão diferente. Insatisfeito com o que havia ganhado, pedi mais, permiti mais. Tolice. A martelada foi tão forte que chego a pensar: "se não fosse a força que tenho no abdômen, seria difícil para em pé."
É... daqui a pouco ela se vai. E mais uma vez não trouxe o que eu esperava. Mas será que eu realmente esperava algo? Não sei. Não mais. Só sei que minha flor está por aí, em algum lugar.
Talvez seja melhor trocar de estação.