sábado, 26 de dezembro de 2009

Natal...


Quase todos que me conhecem sabem que não gosto muito do Natal (preguiça; acho sem graça), mas até que nesse aconteceram umas coisas legais. Coisas que só acontecem comigo.
Tudo começou ontem, quando fui à casa da minha avó paterna e não havia alguém. Vi apenas a silhueta de uma mulher desconhecida que julguei ser a namorada de um tio que não gosto (nem sei se ele namora ou não). Então sai sem nem dar sinal de vida. Hoje fui almoçar na casa da minha avó. Entrei pelo portão e vi um homem estranho deitado na varanda. Pensei: deve ser alguém que não conheço. Continuei a andar. Entrei na casa e vi uma mulher arrumando a cama. Disse "oi" e ela respondeu da mesma forma - pensei que era a mulher que vi na noite anterior. Estranhei a casa estar silenciosa. Minha familia é grande e barulhenta pra caralho. Não vi alguém no quarto e, quando fui pra cozinha, vi uma mulher estranha de costas, ao fogão. Estranhei aquilo tudo e voltei. Perguntei pra primeira mulher que eu tinha encontrado se a Dona Valdete não morava mais ali. Ela disse que não. Coloquei a mão sobre a boca, pedi desculpa e saí correndo - antes que mais alguém visse minha cara. Quando saí do portão que lembrei de ter ouvido alguma coisa sobre ela ter mudado para antiga casa de fulano. A nova casa é do outro lado da rua, quase em frente. De longe ouvi as vozes. Antes de entrar reparei bem nas pessoas que estavam, pra não errar de novo.
Está certo que fui um pouco lerdo (ok, muito lerdo), m0as não entendo porque a primeira mulher que vi não perguntou quem eu era ou coisa do tipo. Simplesmente deixou eu ir entrando.

Foi vergonhoso, mas valeu. No fundo eu gosto de passar vergonha. Acho situações como essas divertidíssimas. O restante do dia foi agradável. Saí pra beber com dois amigos que não via há tempos. No mais é isso. Pra mim, as únicas coisas boas dos natais são as que não estão nas convenções.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Para minha Bárbara.



"[...] Então te mostrei meus olhos e tentei te livrar daquilo. [...]


Maria Flor e Teo já existem. Só não os encontramos ainda."

sexta-feira, 27 de novembro de 2009


É... são tempos dificeis.
Cabeça louca, coração na mão, e nada de desejo pegando fogo.
Sei lá... vontade de um lugar só meu. De estar sozinho, sabe?

Hoje cheguei em casa e li no quadro branco de recados: "Presente para a Chave Mestra". Ao lado havia pendurada uma bota vermelha, dentro dois sinos de chocolate e uma barra de "chocolate branco puro". Eram pra mim. A vizinha do andar de cima quem deu. Nem a conhecia. Não faço ideia de qual seja seu nome. Tudo o que sei, é que com todo esse meu mau-humor, coisa de mal-amado (ou não), só fiz xinga-la (em silêncio) por falar alto durante a madrugada. E eis que, de repente, ela nos presenteia. Um agradecimento por termos ajudado-a guando precisou. E é agora penso: não só estava longe como brinquei com o ocorrido. Ela tentou se matar e eu (poderia dizer nós, mas não falo pelos outros)ri, desmerecendo o motivo dela, como se eu soubesse qual era de fato a dor de sua carne. Talvez eu seja mais egoísta do que imaginava. Talvez não. Tudo isso pra dizer que "tomei meu dente"; calei minha boca. E agora paro pra pensar em tudo: em como ela está, seu nome, se era uma pessoa legal... afinal, diferentes todos somos.
[...] Uma bota vermelha. De Natal. Parece que nessa terra não existe essa data. Penso ser isso que motiva a passar esse dia aqui, sozinho. Longe de tudo e todos. Longe de presentes, da falta de presentes, das orações, das hipocrisias e das dívidas. Pena ser também longe da família. Mas estar perto da família por agora significa ganhar dor de cabeça por conta de questionamentos desnecessários (pra mim). Sei que no final das contas estarei em casa, sorrindo e rezando, torcendo para acabar logo.
Estranhamente, tenho fugido das pessoas do meu passado. Fugido das pessoas que amo e que, ironicamente, queria perto de mim. Essa semana me perguntaram de quem sinto saudades, imediatamente pensei: "de mim". Talvez por isso eu fuja. Por ser outro.

Chega de sentimentalismos. São mais três horas e tenho que acordar cedo amanhã. O final do período está aqui e tenho cenas, trabalhos e produções pra fazer. Quando isso acabar, vejo o que fazer com o resto.








*Sinto saudades de você. Do meu amor. Depois de mim, sinto falta de ti. Gosto quando estamos juntos. "Seu gosto é do jeito que eu gosto, lamento."

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Chega de "Caio".


CUUUUUUUUUUU.!
Não o prazer, o xingamento. Não dá. Não quero. Não gosto. Nojo. Asco. Vômito. Ânsia. É isso que sinto. É isso que vem. Nada se cria. Tudo foge. Raiva. Sadismo. Não o do prazer, o da ferida. Não dá pra ser assim. Não é pra ser assim. Não é meu, não é pra mim. Forca. Força. Fraqueza. Peito apertado. Não há espaço. Não há ar. Chega (em grito). Um ato. Um fato. Não me movo. Insistir é saturar. E não falo de amor.




[Notas sobre um processo (de cena) gordo. 16/11/2009. Entre 18h30' e 19h'.]

quarta-feira, 11 de novembro de 2009


Não sei porque, como ou quando criei a ilusão de que com a chegada da primavera as coisas seriam bem melhores. Os dias seriam cheios de sorrisos e haveria cores por todos os lados.
Ano passado esperei por ela loucamente. Quando chegou, trouxe consigo alguém do passado, o que fez todos os dias que me restavam no ano ficarem podres. Então decidi que não acreditaria nisso. Que a primavera não tem o poder de trazer cor para as nossas vidas. Eis que esse ano, às vésperas da sua chegada, tive sinais de que viria com tudo - e dessa vez traria uma surpresa mais que agradável. Certifiquei-me que realmente é o inesperado quem muda nossas vidas. E como muda... Em menos de trinta dias ganhei duas marteladas. Então ela chegou. Não como no ano passado, mas não tão diferente. Insatisfeito com o que havia ganhado, pedi mais, permiti mais. Tolice. A martelada foi tão forte que chego a pensar: "se não fosse a força que tenho no abdômen, seria difícil para em pé."
É... daqui a pouco ela se vai. E mais uma vez não trouxe o que eu esperava. Mas será que eu realmente esperava algo? Não sei. Não mais. Só sei que minha flor está por aí, em algum lugar.
Talvez seja melhor trocar de estação.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Nostalgia Carnal

"As mãos...
E por que não a castigas nas mãos?
As mãos são as mais culpadas no amor...
Pecam mais... Acariciam... O seio é passivo;
a boca apenas se deixa beijar... O ventre apenas se abandona...
Mas as mãos, não... São quentes e macias... E rápidas...
E sensíveis... Correm no corpo...."



Eu, que pensava não ligar para a carne, estranhamente desejo ver de novo suas várias faces de cão.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Objeto Identificado


"Eu já te dei tudo. O que mais você quer?"
(queria apenas fazer um convite)


O quarto estava na penumbra, apenas a luz de uma vela clareava o ambiente. Vozes alternadas relatavam histórias que com certeza, em algum lugar paralelo, aconteceram. De repente, as mãos se tocaram. O olhar continuava firme, vendo apenas a chama balançar e a expressão na face de quem contava. Ela, aquela criança-criatura, ser misterioso que pode muito mais que todos supõem, estava em meu colo, apoiada em mim, sorrindo com ar de quem sabe de tudo. Olhar travesso sobre o que aconteceu e o que acontecerá. O que era um simples toque de mãos evoluiu: seu peito tocava minhas costas. Sua mão passeou sob minha camiseta. Aqueles belos dedos acariciavam meu umbigo - parte do meu corpo que nunca havia sido elogiada até então. Dali, subiu para meu peito. Fingi que nada acontecia. Permaneci compenetrado na historia e naquele ser que estava sobre meu colo - somente ela sabia o que se passava dentro de mim.
Carícias depois, como quem beija um amigo, toquei meus lábios em sua testa. Me surpreendi com seus lábios tocando rapidamente - como quem foge do que sente - os meus. Continuei a ignorar. Tentei me enganar fazendo a maremoto que era o meu estômago parecer nada mais que uma brisa. Em silêncio, conversei com aquela criança. Disse que um dia ele seria meu. Não sei quando, mas seria. E ela me ajudaria. Ah... como ela é imediata! Os beijos tornaram-se frequentes. Todas elas desapareceram: a voz, a luz e a criança. Ele parecia certo do que queria. Eu sabia que horas depois não seria assim. Mesmo assim, resolvemos viver. Era uma oportunidade que a vida nos dava. Para alguns, dois corpos nus, juntos, é sinal de um alto nível de intimidade. E assim tomamos banho. Nos demos banho. A luz, que antes era de velas, agora era de um celofane vermelho. O direito de por as roupas para dormir me foi privado. Sequer me perguntou se eu queria, jogou longe e pronto. Mas é óbvio que eu queria. Ali vivemos momentos lindos. Momentos de toque, de silêncio, de prazer. Passei por situações jamais esperadas, e foi bom. Talvez só tenha sido bom pelo valor da companhia. Depois vem a leveza. E mais tarde, água. Dormimos juntos como estamos acostumados a dormir cada um em sua casa. O que valia era a liberdade, naturalidade e principalmente, a "intimicumplicidade". Na madrugada, sonho com o que já partiu. Algo que não fazia parte de mim, mas dele - e era desconhecido.
Amanhece. Não sei como cumprimentar. Dúvidas tomam todo meu ser. Nossos corpos se encontram, entrelaçam e congelam. Me faz uma confissão. Fico aliviado por se mostrar receptivo. Beijos me revelam que aquilo tudo era real. Parecia não - superficialmente real. Outro banho. Nos banhamos.

" - (...)aquela cena dura cinco minutos. É lindo ela dando banho nele. (longa pausa) Eu gosto muito de você.
- A recíproca é mais que verdadeira. Já te disse isso um dia... e você não ouviu."

Despediram-se. Cerca de 36h depois se encontraram. Tudo estava normal. Pela primeira vez doeu fazer de conta que nada aconteceu.
Isso foi o que vi. Me pergunto como será o outro campo de visão. A outra versão da história.
"Pode acreditar, eu agora sei voar..." É lindo. Mas se esqueceu de cantar a outra parte da música: "... e num pé de vento você vai me ver passar."
Fala de arte e tem lindos sentimentos. Pena que são apenas para uma pessoa: para si. Não se esconda atrás de confissões. Assuma a verdade nua e crua.
A realidade vem num balde d'água gelada, e as coisas escurecem aqui dentro. Pego o coração de metal e coloco no peito. E não adianta bater o pé três vezes, não há lugar para voltar. As coisas que acredito existem, mas tantas pessoas se esqueceram delas que fica até difícil encontrar. Reclamam do mundo moderno mecanizado, mas se esquecem que o que não é mecânico não depende do mundo, e sim de nós.
Histórias como estas me fazem pensar no que tive medo de tentar. Oportunidades perdidas. Me deixam passar como um dia passei alguém. Sorte minha ter consciência de que não tenho o direito de mexer em feridas antigas alheias, nem de gerar novas feridas nos outros - não por vaidade minha.
Tudo isso foi irônico. Foi cruel. Foi inesquecível.
Enquanto tenho vontade de dizer "se perde comigo pra sempre?", vejo que não passei de Carne Aprovada.


(É isso, ou de fato sou cego.)

Me faço presente em Imagem e Alma.


Dois núcleos de pessoas, até então desconhecidas, estiveram ali algumas vezes por semana para trabalhar. No entanto, não era isso que acontecia. O que seria trabalho passou a ser encontro. Nesses encontros conhecemos uns aos outros e a nós mesmos. Trocamos olhares e confidências. Fizemos de nossas energias, uma só. Nossos corpos se conheceram e agora conversavam. Nos tornamos cúmplices. Iniciamos algo que, acredito eu, ainda não acabou. Às vezes me faço a mesma pergunta que Lygia: "Aquela gente teria mesmo existido?"
A resposta é SIM. Não só existiram como "viveram coisas indizíveis". Apesar de todas as diferenças e de não nos vermos mais com tamanha frenquência, tenho a certeza de que um sentimento grande e forte nos une. Nos denominamos cerejas. Talvez não sejamos conhecidos por muitos, o que não importa. O que de fato interessa, é que nós sabemos quem o que somos.

"Ficaram as cerejas, só elas resistiram com sua vermelhidão de loucura."


Sobre tudo isso, digo apenas que fizemos um banquete antropofágico, e que certamente não acabou. Cerejas serão vistas novamente. com novos corpos, anseios e sensações.
Nos fizemos uma pergunta. E acredito que a respondemos. Agora, a faço a vocês: O que move o seu desejo?